SETEMBRO AMARELO – MÊS DE PREVENÇÃO AO SUÍCIDIO

A cor amarela representa a valorização da vida. Portanto, mesmo que o assunto deva ser discutido durante todo o ano, é em setembro que o tema é reforçado e trabalhado por diversas instituições.

Setembro amarelo é conhecido mundialmente como o mês de prevenção ao suicídio. Essa campanha foi criada no Brasil pelo Centro de Valorização da Vida em 2015.

No Brasil, o suicídio ocupa o quarto lugar no ranking de causas de mortes mais comuns entre os jovens. Além disso, a cada 40 segundos uma pessoa se mata em algum lugar do mundo. Segundo a OMS, o suicídio é a segunda causa mais comum de morte em pessoas com idade de 15 a 29 anos. Só no Brasil, 32 pessoas morrem por dia tirando a própria vida.

Infelizmente, o assunto aqui ainda é tratado como um tabu. Aliás, muitos são os que evitam falar sobre o tema com medo de instigar a ideia nos outros. Contudo, um diálogo sobre o suicídio é necessário.

Você sabia que o auxílio psicológico poderia ser o suficiente para evitar 90% dos casos de suicídio? A maioria desses casos acaba sendo causado em decorrência de doenças mentais que não são tratadas. Entretanto, não são tratadas porque as pessoas nem sequer sabem que precisam de ajuda.

É por isso que o setembro amarelo foi criado. A proposta é trabalhar com o diálogo no intuito de prevenir essas mortes precoces. Surpreendentemente, 60% das pessoas que suicidaram não chegaram a procurar ajuda. Consegue imaginar alguém que quebrou o braço não procurar ajuda?

Entretanto, como assunto não é falado, ele não é conhecido. Por exemplo 17% dos brasileiros já considerou de forma real o suicídio. Além disso, destes, 4,8% chegaram a trabalhar em uma forma disso acontecer. Imagine como o número de perdas seria menor se todos falassem abertamente sobre isso.

QUAIS AS BARREIRAS À DETECÇÃO E À PREVENÇÃO DO SUICIDIO?

Diversos fatores podem impedir a detecção precoce e, consequentemente, a prevenção do suicídio. O estigma e o tabu relacionados ao assunto são aspectos importantes. Durante séculos de nossa história, por razões religiosas, morais e culturais o suicídio foi considerado um grande “pecado”, talvez o pior deles. Por esta razão, ainda temos medo e vergonha de falar abertamente sobre esse importante problema de saúde pública. Um tabu, arraigado em nossa cultura, por séculos, não desaparece sem o esforço de todos nós. Tal tabu, assim como a dificuldade em buscar ajuda, a falta de conhecimento e de atenção sobre o assunto por parte dos profissionais de saúde e a ideia errônea de que o comportamento suicida não é um evento frequente condicionam barreiras para a prevenção. Lutar contra esse tabu é fundamental para que a prevenção seja bem-sucedida.

MITOS SOBRE O COMPORTAMENTO SUICIDA

Erros e preconceitos vêm sendo historicamente repetidos, contribuindo para a formação de um estigma em torno da doença mental e do comportamento suicida. O estigma resulta de um processo em que pessoas são levadas a se sentirem envergonhadas, excluídas e discriminadas.

MITOS VERDADES
O suicídio é uma decisão individual, já que cada um tem pleno direito a exercitar seu livre arbítrio. FALSO. Os suicidas estão passando quase invariavelmente por uma doença mental que altera, de forma radical, a sua percepção da realidade e interfere em seu livre arbítrio. O tratamento eficaz da doença mental é o pilar mais importante da prevenção do suicídio. Após o tratamento da doença mental o desejo de se matar desaparece.
Quando uma pessoa pensa em se suicidar terá risco de suicídio para o resto da vida. FALSO. O risco de suicídio pode ser eficazmente tratado e, após isso, a pessoa não estará mais em risco.
As pessoas que ameaçam se matar não farão isso, querem apenas chamar a atenção. FALSO. A maioria dos suicidas fala ou dá sinais sobre ideias de morte. Boa parte dos suicidas expressou, em dias ou semanas anteriores, frequentemente aos profissionais da saúde, seu desejo de se matar.
Se uma pessoa que se sentia deprimida e pensava em suicidar-se, em um momento seguinte passa a se sentir melhor, normalmente significa que o problema já passou. FALSO. Se alguém que pensava em suicidar-se e, de repente, parece tranquilo, aliviado, não significa que o problema já passou. Uma pessoa que decidiu suicidar-se pode sentir-se “melhor” ou sentir-se aliviado simplesmente por ter tomado a decisão de se matar.
Quando um indivíduo mostra sinais de melhora ou sobrevive à uma tentativa de suicídio, está fora de perigo. FALSO. Um dos períodos mais perigosos é quando se está melhorando da crise que motivou a tentativa, ou quando a pessoa ainda está no hospital, na sequência de uma tentativa. A semana que se segue à alta do hospital é um período durante o qual a pessoa está particularmente fragilizada. Como um preditor do comportamento futuro é o comportamento passado, a pessoa suicida muitas vezes continua em alto risco.
Não devemos falar sobre suicídio, pois isso pode aumentar o risco. FALSO. Falar sobre suicídio não aumenta o risco. Muito pelo contrário, falar com alguém sobre o assunto pode aliviar a angústia e a tensão que esses pensamentos trazem.
É proibido que a mídia aborde o tema suicídio. FALSO. A mídia tem obrigação social de tratar desse importante assunto de saúde pública e abordar esse tema de forma adequada. Isto não aumenta o risco de uma pessoa se matar; ao contrário, é fundamental dar informações à população sobre o problema, onde buscar ajuda, etc.

PRINCIPAIS FATORES DE RISCO ASSOCIADOS AO COMPORTAMENTO SUICIDA

DOENÇAS MENTAIS

  • Depressão;
  • Transtorno bipolar;
  • Transtornos mentais relacionados ao uso de álcool e outras substâncias;
  • Transtornos de personalidade;
  • Esquizofrenia;
  • Aumento do risco com associação de doenças mentais: paciente bipolar que também seja dependente de álcool terá risco maior do que se ele não tiver essa dependência.

ASPECTOS PSICOLÓGICOS

  • Perdas recentes;
  • Pouca resiliência;
  • Personalidade impulsiva, agressiva ou de humor instável;
  • Ter sofrido abuso físico ou sexual na infância;
  • Desesperança, desespero e desamparo.

ASPECTOS SOCIAIS

  • Gênero masculino;
  • Idade entre 15 e 30 anos e acima de 65 anos;
  • Sem filhos;
  • Moradores de áreas urbanas;
  • Desempregados ou aposentados;
  • Isolamento social;
  • Solteiros, separados ou viúvos;
  • Populações especiais: indígenas, adolescentes e moradores de rua.

CONDIÇÕES DE SAÚDE LIMITANTE

  • Doenças orgânicas incapacitantes;
  • Dor crônica;
  • Doenças neurológicas (epilepsia, Parkinson, Hungtinton);
  • Trauma medular;
  • Tumores malignos;
  • AIDS.

COMO AJUDAR UMA PESSOA COM PENSAMENTO SUICIDA?

É importante que ela saiba que não está sozinha e pode contar com seu auxílio para superar esse desafio. Demostre amor e empatia por ela, procurando entender o que está acontecendo, sem fazer qualquer tipo de julgamento. Quem tem tendências suicidas sente-se envergonhado ou culpado por se encontrar nesta situação. Escolha um lugar calmo onde a pessoa sinta-se confortável e garanta que vocês dois terão tempo suficiente para conversar.

1. Não tenha medo de tocar no assunto

Vá por nós, isso é extremamente importante. Diga que notou que seu parente ou amiga(o) anda para baixo e que isso lhe preocupa. Faça uso da empatia, ok? Mostrar que ela(e) não está sozinha e que você preza pelo seu bem-estar pode contribuir, e muito, para que o quadro seja superado. Se, durante o papo, você notar alguns dos sinais que indicam pensamento suicida e que listamos aqui, pergunte se o seu ente querido já pensou ou pensa em cometer suicídio. Caso ela diga que sim, procure auxílio médico. Ela precisa de ajuda imediata.

2. Evite frases clichês e comentários desdenhosos

Escolha o tom correto para conduzir o bate-papo. Use uma abordagem respeitosa e carinhosa. Evite encher o seu discurso com frases como “amanhã é outro dia”, “vai ficar tudo bem” e “não se preocupe, tudo vai melhorar”. Esses clichês não produzem nenhum efeito positivo para quem pensa em se suicidar. Lembre-se de que ela pode não ver mais sentido na vida, então dizer isso não vai ajudar. Ah, e sair por aí falando que “as coisas não parecem tão ruins” ou “eu já passei por isso e venci”, por exemplo, também não contribui em nada. Mesmo que você não tenha a intenção, essas colocações, assim como as citadas no parágrafo anterior, podem soar bem desrespeitosas e insensíveis, e piorar o quadro.

3. Seja um bom ouvinte

Esteja disposta(o) a ouvir tudo que o seu interlocutor tenha a dizer. Mantenha contato visual, preste atenção e responda sempre em tom gentil, como já explicamos o porquê.

4. Apoio médico

É importante esclarecer a pessoa de que ela não precisa sentir culpa ou ter vergonha de estar assim. Problemas emocionais podem ser tratados. Reitere que há outras pessoas preocupadas e que ela pode contar com o apoio de todas elas, mas também deve procurar ajuda de um profissional, como um psicólogo ou psiquiatra. Esse acompanhamento médico é importante para que ela veja que existem outras saídas para a situação que não o suicídio. Caso a pessoa precise de um apoio médico, sugerimos que busque o serviço de assistência do Centro de Valorização da Vida, que realiza importante trabalho no combate e prevenção ao suicídio. O número é o 188 e se encontra disponível 24 horas por dia.

AJUDA E REDE DE APOIO

Se ao fim da conversa você sentir que a pessoa ainda está muito mal, tendo dificuldade para lidar com sua situação, provavelmente é uma boa ideia checar se a pessoa sabe como conseguir ajuda, quer seja através de uma conversa com outra pessoa ou com um profissional.

Algumas perguntas úteis podem ser:

Você já conversou com mais alguém sobre isso?

Você gostaria de procurar ajuda?

Gostaria que eu fosse com você?

Há alguém em quem você confia que possa procurar?

Se ajudar, você pode falar comigo quando precisar.

É importante que, se você também estiver se sentindo sobrecarregado com a situação de estar oferecendo apoio para alguém com pensamentos suicidas, que também procure ajuda e apoio. E se, algo por acaso acontecer com a pessoa, lembre-se de que não é culpa sua.

Você pode indicar para a pessoa que ligue para o Centro de Valorização da Vida (188) quando precisar de mais apoio – e também pode ligar caso precise.

Lute sempre pela Vida!

FONTE:

https://www.setembroamarelo.com/

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