Há mais de um século sendo usado pela medicina, e ainda seus benefícios são pouco explorados. Foi classicamente usado como antiácido, laxativo e antiespasmódico. Sob a sua regência estão várias funções fisiológicas, ativa cerca de 350 enzimas envolvendo a produção de energia! Tem relação com o cálcio, interage com o zinco e a vitamina B6 e os nutrientes, ajudando a controlar o estresse. Participa de uma cascata de etapas bioquímicas que leva a síntese de hormônios sexuais como a testosterona, estradiol e o cortisol. O magnésio e a vitamina D são necessários para absorção e utilização do cálcio, além de uma complicada orquestração de outros elementos como o molibidênio, o boro e o fósforo, a vitamina K, as proteínas e os hormônios. Altos níveis de cálcio no sangue podem tornar os ossos mais frágeis e a ingestão de cálcio sem magnésio, pode levar à deficiência adicional de Magnésio e abrir o caminho para graves complicações.O magnésio interfere na produção de colágeno e sua deficiência acelera o envelhecimento e aumenta o risco de câncer. O déficit de magnésio aumenta a resistência insulínica, o que pode levar à diabetes tipo 2. O magnésio exerce ação antitérmica, ativa a síntese de melatonina, o hormônio que propicia o sono.O magnésio compete quimicamente com os metais tóxicos como o chumbo, cádmio, alumínio, mercúrio, contribuindo para a eliminação e para desintoxicação.

Os sintomas mais freqüentes da deficiência de magnésio:  Arritmias, palpitações, hipertensão arterial constipação, fadiga, depressão, tensão pré-menstrual, ansiedade, depressão, irritabilidade, síndrome do pânico, câimbras, dores musculares, enxaqueca, tremores musculares, crises alérgicas, dificuldade de atenção, perda de memória, angina pectoris, pseudocólicas renais, cálculos renais, confusão mental, zumbidos e convulsões, resistência insulínica, compulsão por carboidratos. Também ataques cardíacos, derrames cerebrais e morte súbita. A Síndrome da Fadiga Crônica e a fibromialgia, doenças de Parkinson e Alzheimer estão também relacionadas.

O homem paleolítico consumia 1 g de Magnésio e 1 g de cálcio por dia, ou seja, uma quantidade de magnésio na proporção de 1:1 em relação ao cálcio. O homem paleolítico não sofria de doenças degenerativas como hipertensão, diabetes, câncer e artrite. A dieta moderna absorve de 5 a 15 vezes mais cálcio que magnésio e contém uma média de 150 a 250mg de magnésio por dia. Hábitos alimentares como o excesso de cálcio, de gorduras, de açúcar e sal refinados, o consumo de bebidas alcoólicas e de refrigerantes, levam ao aumento da excreção do magnésio e prejudicam a sua absorção.

O solo brasileiro é deficiente em magnésio em 90% da sua extensão, pois o magnésio é mais abundante em terras vulcânicas. Estudos americanos demonstraram a correlação entre solos pobres em magnésio e a alta incidência de doenças cardiovasculares e outras doenças degenerativas.

Vale lembrar que a maioria das águas minerais brasileiras, refletindo a composição geoquímica do solo, têm baixo teor de magnésio. Ainda mais grave é que muitas dessas águas minerais têm fluoreto, um componente que interfere na absorção e nas funções do magnésio. O flúor foi banido em 98% dos países da Europa permanecendo em 5% dos países do mundo, dentre eles o Brasil. O flúor altera o balanço do cálcio/ magnésio produzindo o aumento de fraturas do fêmur, calcificações patológicas e degenerações osteoarticulares. O Flúor interfere ainda na ação do iodo o que atrapalha a função da tireóide, sendo esta, uma das maiores causas de hipotiroidismo no Brasil.

O nosso estilo de vida moderna, depleda o magnésio e nos adoece.No mecanismo de reação ao estresse, ocorre um aumento de cálcio no meio intracelular. Assim o coração, os vasos e também os músculos ficam hiperexcitáveis. No homem moderno existe um estado de estresse crônico. A tensão emocional, o trauma psíquico, enfermidades, geram um estresse que diminui a eficiência da célula em reter o magnésio e aumenta a sua excreção pela urina.  O estresse libera a adrenalina e o cortisol induzindo a saída do magnésio do meio intracelular que serão eliminados através da urina.

A suplementação adequada de magnésio tem dupla vantagem - reduz a retenção de metais no organismo e aumenta a sua excreção por mecanismo de competição. Outras intoxicações crônicas por metais advindas da contaminação industrial, alteram o equilíbrio do magnésio. Por exemplo, o alumínio presente nas latas de refrigerante e cerveja, desodorantes, interferem em muitas reações bioquímicas, bloqueando o magnésio e podendo produzir uma variedade de sintomas, inclusive o seu acúmulo no cérebro pode estar relacionado com o desenvolvimento de doença de Alzheimer. O saturnismo (intoxicação por chumbo), produz lesões renais, paralisia periférica e encefalopatias. Outro elemento tóxico é o cádmio. O cádmio está presente na fumaça do cigarro, fumaça de veículos e alimentos em conserva. Sua intoxicação pode causar hipertensão arterial.

Existe uma dificuldade na interpretação dos dados bioquímicos da dosagem do magnésio no sangue. Pesquisas apontam que 89% do total de magnésio de um homem está distribuído nos músculos e ossos. Apenas 1% distribui-se pelo tecido extracelular. Diante de todos esse fatores e levando em conta que dificilmente o problema do solo poderá ser corrigido para fornecer alimentos tanto de origem vegetal como animal com concentração adequada de magnésio, justifica-se e recomenda-se a sua suplementação na maioria da população brasileira. Importante lembrar que o magnésio exerce ação anticoagulante e o estrógeno sintético favorece a coagulação do sangue. Mildred Seelig propôs a suplementação de magnésio junto com os contraceptivos hormonais para prevenir os acidentes tromboembólicos devido à sua ação preventiva de agregação plaquetária.

A National Academy of sciences dos Estados Unidos estima que 150 mil vidas poderiam ser salvas anualmente Se todas as pessoas tomassem águas ricas em magnésio.

 

Dra. Renata Nogueira Manoel

CRM. 111.235